Como se o outro lado do mundo, fosse o outro lado da rua.
Imagine; |
"Ela é estranha. Tem olhos hipnóticos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la." |
E depois de quatro anos, o seu rumo encontrou o meu, no mesmo lugar…
Eu estava na sua mira, você me encontrou, me pegou sozinha, e já não existia mais, alguns erros de tempos atrás.
Eu senti desde aquele primeiro contato, que você era problema, então evitei todas as maneiras à imensidão do seu olhar.
Você me ligou uma vez, duas vezes, três vezes, eu fui educada, mas evitei, e sugeri uma amizade.
Quinta ligação: - Oi, vamos assistir filme no apartamento de um amigo, topa?
- Como amigos?
- Como você quiser, chega ai, as 20:30.
- Combinado.
Viramos amigos, dividi o meu melhor amigo com você, fizemos tudo juntos, dividimos a escova de dente, o cobertor, roubamos no pôquer, me ajudou a descobrir que eu curtia mil vezes mais a velocidade, do que a altura curou meus porres, ficou de porre junto, viramos a noite no aero clube, pra ver o sol nascer, deixamos passar de amizade.
Eu soube que você era problema quando apareceu.
Você voou comigo para lugares que eu nunca tinha ido, e me deixou aqui no chão. Quando eu comecei a gostar disso você deu um passo para trás.
Acho que parte de mim sabia desde o primeiro instante que te viu, que isso iria acontecer, não é na verdade, nada do que você disse ou fez, era o sentimento que veio junto com você, uma coisa louca, uma liberdade, eu não sei sequer se me sentirei dessa forma de novo. Eu sabia que o seu mundo mudava depressa demais, e queimava intensamente dia a dia. Mas eu só pensava: Como pode o diabo estar te empurrando em direção a alguém que se parece tanto com um anjo quando ele sorri para você? Talvez você soubesse a resposta quando me viu.
Eu acho que perdi o equilíbrio, e eu acho que a pior parte de tudo isso não foi perde-lo.
FOI ME PERDER.
Lembro como se fosse ontem, o dia em que o conheci, olhos verdes profundos que me levavam para longe e um sorriso singelo que fazia eu me sentir em casa. Bingo! Minha amiga resolveu parar na loja onde ele estava. – Suspirei. Ver os olhos verdes de perto, era como ir ao paraíso, sentir a paz do mar. De repente sinto alguém se aproximar dizendo: - “este com a armação verde, combina perfeitamente com seus olhos verdes”.
Viro, com a intenção de agradecer, e dizer que a interessada não era eu. Entretanto, eu não era a interessada, e ele não era o vendedor, mas eu sai de lá com os óculos verdes, e um bilhete dentro da caixinha, me ligue se tiver motivo e o numero de telefone.
Pensei diversas vezes em ligar, mas evitei, não tinha motivos suficientes e dias depois um relance nas memórias, eu não havia pagado pelos óculos, voltei à loja, e os óculos estavam pagos, resolvi ligar, agradecer seria o mínimo.
Resultado disso, eu e ele cada vez mais próximos, dias, semanas, e eu tomei um rumo diferente.
No meu rumo, segui por três anos e meio com meu óculos de armação verde, sempre ouvindo de todos, que óculos lindo, como esse óculos combina com você.
Meu óculos combinava com aquele olho verde, os olhos dele
De repente a ficha caiu, eu estava em casa sozinha, havia tirado alguns dias do trabalho, para descansar, mas na verdade eu caí mesmo foi na real.
Eu já tinha perdido as contas, talvez fizesse dias, semanas, meses, é realmente faziam muitos meses da sua partida.
Em uma retrospectiva me lembrei como eu tinha saudades da maneira como ele se fazia presente, em cada brecha em seu tempo, sua atenção se voltava para mim.
Eu havia me acostumado muito bem com tantos mimos e regalias, eu acordava com a sua ligação, recebia sms o dia inteiro, post it para me lembrar de quem eu já mais esqueceria, rosas, cinema, o céu estrelado, lua cheia, eu e ele, violão e sua voz só para mim, seu perfume, eu gostava de cada detalhe que o tornava perfeito, do seu sorriso, dos seus olhos , cuja a cor combinava com os meus, do seu abraço, do seu boa noite, das suas vitórias em campeonatos de judô, dedicadas á mim, das suas aparições repentinas no meio da noite.
Ah, eu gostava dele e ele gostava de mim, e eu achava que isto bastava.
Ele se foi, sem explicar, se despedindo apenas com um “confie em mim”
Se confiar significa isso, jamais vou querer confiar em alguém novamente, cai na real, as rosas já estavam secas, eu poderia olhar milhares de vezes no celular e não haveria nenhum novo sms, os post it já haviam perdido a cola, e eu perdido o gosto.
Desde a sua partida, eu liguei o modo piloto automático, devorei livros, a cara no trabalho e o tédio na faculdade. Musicas passavam por mim, despercebidas, ate mesmo minhas preferidas, a vida havia se tornado preto e branco, eu havia me tornado fria, sorria para todos, para fugir de qualquer tipo de pergunta e aceitava qualquer opinião, pois a ideia de discutir com mentes babacas, me dava tédio.
Havia se passado meses, e eu estava presa a uma rotina sem cor, e não poderia continuar assim.
Decidi que iria mudar, tomei banho, escolhe uma saia de cintura alta verde água, uma blusa de cetim em tom champanhe e sai decidida que quem escolhe as cores do meu MUNDO sou eu, e mais ninguém.
Escrevi em um post it “Sou eu, e mais ninguém”.
Acabei um capitulo para começar outro, bem melhor!
Como se o outro lado do mundo, fosse o outro lado da rua.
ooouw *-*
(Fonte: animals-pic, via sarahmarcela)
Zibia Gasparetto - Quando é preciso voltar (via umadoseumdesapego)
Keep your face to the sunshine and you will never see the shadow.
50 tons de cinza
(Fonte: re-novada, via andrevanutteeuteamo)
Sei de cor de salteado como isso começa e termina, mas ainda não sei como aceito todo esse seu joguinho. Você vem como quem não quer...
- Ele pode estar olhando as suas fotos. Neste exato momento. Porque não?
- Passou-se muito tempo. Detalhes se perderam.
-...
Então delete, tudo aquilo que não valeu a pena. Quem mentiu, quem enganou seu coração, quem teve inveja, quem tentou destruir...